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Foi então que ela abriu os olhos, devagar, como só quem já virou madrugadas sabe fazer, sentou-se na beira da cama e esperou os primeiros raios de sol a atingirem. Com o sol, seus primeiros os raios de consciência. Aquelas paredes, o chão, a mesa de cabeceira, celulares de lado, relógio parado...
Era tudo tão estranho. Estranhamente conhecido, mesmo sem ela nunca ter visto antes era como se sempre tivesse feito parte dela. Tão natural... Não, não era. Olhou em volta outra vez. Travesseiros de lado, sapatos jogados. E ela ali, estática, na beira da cama.
Pela primeira vez ela tentou escutar seu coração, sábio conselheiro de sua eterna confusão, e não escutou. Só ouvia o silêncio de paz e vazio, mistura complexa... Silêncio que ela não sabia identificar, esse era desconhecido demais para ela. E lá vem a fisgada do medo.
Mais um raio de sol lhe acertou. Olhou pro lado e a cena de serenidade lhe atingiu em cheio. Não conteve um sorriso. Agora era isso, o coração calado, um sorriso no rosto. E a sua maior vontade era deitar outra vez. Mas já era dia demais pra viver sonhos.
Um beijo leve. Outro despertar. Me leva embora. Fica. Não posso, estou indo. Calçou os sapatos, ajeitou o cabelo, se encheu de orgulho e assim se foi. Mas dessa vez ela saiu sabendo que voltaria e sentiu um medo bom como nunca sentiu antes.
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