quinta-feira, 2 de junho de 2011

Que país é esse?

É tanto clichê, eu sei, mas esse país, as vezes, me parece um clichê sem fim. Não sei se entristeço ou se me revolto.

Vejo, hoje, um bando de gente com rostos vermelhos e olhos irritados, de tanta fumaça e piementa na cara, olho os hematomas, roxos e inchados, das balas de borracha, sei das pessoas detidas- temendo por quanta agressão sofrerão- fico sabendo de gente hospitalizada. E ouço, quase enlouquecidamente, um tanto de gente dizer que os estudantes estavam errados em fazer o que fizeram.

E eu me pergunto "o que?". Não foi a primeira manifestação, não foi a primeira tentativa de conversa. Eram vários estudantes, lutando por um direito, não só deles e, sim, de qualquer cidadão, querendo mais do que a diminuição da tarifa, querendo uma conversa com o governador, vice, ou qualquer autoridade responsável. Não eram muleques, desoculpados, sem o que fazer, irresponsáveis, inconsequentes. Não utilizaram de agressão, ameaça ou qualquer artificio do gênero.

Estavam ali, no meio da rua, munidos de voz, cartazes e vontade de ter um estado melhor e mais digno onde o povo possa ser ouvido sem precisar parar ruas e avenidas. Exercendo um direito, garantido pela constituição do meu amado Brasil.

Eis que então chega a polícia, batalhão de choque, batalhão de missão especial, com ordem daqueles que não foram dignos de uma conversa. E com eles chegam as bombas, de gás e pimenta, as balas de borracha, a agressão, o abuso de poder, ouvi-se dizer que "direito é o cacete" quando alguém grita que estão dentro do direito deles. E atiram, lançam, jogam, abusam para todos os lados. Para cima dos manifestantes, para quem passava pelo local, para dentro da Universidade Federal (e lá se vai mais uma lei sendo violada), para o Teatro da universidade que se encontrava cheio de crianças. Atigem estudantes e reitor da universidade, crianças e idosos.

Eles mostram, para quem quiser ver, sua grande eficiencia contra o crime...Ah... Quase esqueci que não vivo na ditadura e que protestar não é crime. Assim sendo, eles provam o enorme despreparo e intransigência. O ato agora deixa de ser contra a passagem e passa a ser muito maior. Passa a ser contra essa vergonha de estado, de governo...

E, então, outra vez, para entristecer um pouco mais, vejo uma população apática, quase revoltada com a manifestação pois os estudantes fecharam a avenida e atrapalharam o trânsito. Quer dizer que atrapalhar o trânsito é revoltante mas a ação do BME não tem problema?

É, meu Brasil amado, enquanto esse povo for do jeito que é, você jamais irá para frente. Depois vejo pessoas reclamando de político corrupto, de violência, de falta de educação, disso e daquilo. Mas cadê o povo na hora de dizer "não", "agora chega"? Cadê o povo na hora de cobrar uma atitude do governo?

Fica esse povo, acomodado, que reclama de tudo, mas não move um carro, ou dez passos, do lugar para procurar e exigir o que lhes é de direito. E quando alguém faz isso, eles acham ruim. Acham inconsequente e leviano... Até quando teremos um povo com tamanhas vendas nos olhos?! Até quando o Brasil será ESSE país? Não é o governo que precisa mudar... Enquanto esse povo for assim, não há mudança no governo que sane os problemas.

E, mais um grande clichê, cada país tem o governo que merece... Mas, meu Brasil, você hoje é esse grande, triste, clichê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário